segunda-feira, setembro 24, 2007

Falling Down

Dirigir na Bélgica exige doses cavalares de paciência, boa-vontade, cortesia, educação e respeito. Tudo o que eu não possuo nem em níveis normais. Quando eu vivia no Brasil eu sempre sonhava em protagonizar o chamado “Dia de Fúria” (título do filme com o Michael Douglas, lembram-se?) ou seja, acordar de ovo virado, ser acometido por uma catarse psicótica em plena Marginal Tietê, sair pelas ruas estourando miolos de motoboys, caminhoneiros e afins. No fim do dia, perseguido e cercado pela polícia, eu abriria fogo contra as forças de ordem levando para o cemitério, junto comigo, algumas dezenas de policiais pais de família (Só uma vez isso quase me aconteceu mas infelizmente não matei ninguém, apenas mandei dois “amarelinhos*” para uma licença médica forçada, mas isso é uma oooooutra história).

Levei algum tempo para me habituar a dirigir por aqui. Até hoje, por exemplo, eu tenho reflexos de acelerar o carro quando vejo um pedestre atravessando pela faixa para tentar esmagá-lo, só então me lembro que eles tem prioridade sobre os veículos e freio bruscamente a poucos centímetros do alvo. Acelerar para passar rapidinho pelo farol amarelo também é encrenca na certa e custa caro, vermelho nem se fale.
O excesso de carros nas ruas deste pequeno reino é um grande problema a parte. Segundo dados oficiais, 50% da frota belga é formada por carros de empresa. Sim, voces leram certo, cinquenta por cento. A cada dois carros que passam na rua, apenas um pertence a um particular. A partir desse dado estatístico pode-se imaginar o caos que se instaura por aqui, principalmente nas horas de pico. Afinal, quase todo mundo tem carro. Além disso temos os velhinhos que, nessas bandas de cá, dirigem até poucos minutos antes de morrer e dirigem daquele jeitinho que voces conhecem. Nesse aspecto eu prefiro o Brasil onde nossos velhinhos são jogados em asilos ao invés de ficar levando vida normal, atrapalhando o trânsito.

Todas as manhãs, canto mantras tibetano enquanto estou parado no trânsito. Mas paciência tem limites: vou trocar o mantra por heavy-metal, comprar uma marreta e realizar meu antigo sonho aqui na Bélgica mesmo. Meu “Dia de Fúria” está próximo, irmãos. Tremei!


*amarelinhos = termo usado para denominar os fiscais de trânsito de Campinas. Em São Paulo essa raça maldita é conhecida por “marronzinhos” e acredito que em outras cidades eles devam mudar de cores mas se fazem sempre presentes, descendo multa na galera.

4 Comments:

At 6:04 PM, Blogger Mairocas said...

bom, eu não dirijo, mas vi bem o caos que é dirigir em Bruxelas, pq Perwez..hehehe.. deixa pra lá
mas um saco mesmo!! mais saco achar um lugar para estacionar, às vezes demora mais este pedaço do que a própria "viagem"..
mas chegaremos perto, eu li que querem importar um carro(da China eu acho) que vai ser vendido por 6 mil aqui no Brasil.. já imaginou o que vai ser??
pelo menos aí vão ver que REALMENTE precisam aumentar o metrô..

 
At 7:05 AM, Blogger JU said...

To andando a pé ultimamente. Até mesmo pq minha irmã ficou com meu carro. :S

 
At 3:16 AM, Blogger Katchatcha said...

Amarelinho em Porto Alegre é "azulzinho" e em Curitiba é "periquita".

Mairocas: o carro de 6 mil vai ser da Renault mesmo. Tamo fu.

 
At 3:55 PM, Blogger Ligia said...

Pois meus sogros são belgas e vivem aqui em Tenerife e eu GELO quando o velhinho quer levar meus filhos pra algum lugar com ele no carro. O estilo dele na condução é o de "fast & furious" com reflexos de 70 anos, ou seja, pra se CAGAR de medo!

 

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