segunda-feira, dezembro 10, 2007

Papai Noel dá o cu

Pois é, odeio Natal. E não é de hoje não, o isolamento provocado pela distãncia da familia e amigos potencializa o ódio mas a proximidade aos mesmos não o extinguiria.
Durante os anos 70 e até meados dos 80 o Natal era uma ocasião única no ano: a ceia era sempre perfeita e cheia de significados, Papai Noel geralmente não miguelava o presente que pedíamos, eu passava a noite lutando contra o sono para surpreendê-lo no pulo mas acho que minha mãe colocava Dormonid no meu refrigerante pois eu sempre apagava no meio da vigília. A partir 1985 minha família começou a dar sinais de saco-cheio das festas de final de ano. Ainda tínhamos um certo hábito de nos reunir nessa data por exigência do meu pai mas o contexto já estava perdido e nossas ceias de Natal começaram a se transformar em palco para lavar todo o tipo de roupa-suja. A pantomima natalina (árvores decoradas, presentes, perú assado, família perfeita reunida, etc.) foi enterrada de vez em 1991 quando nos reunimos todos pela última vez, a partir de então nos espalhamos pelo mundo e raríssimas vezes voltamos a nos reencontrar todos (pais, irmãos e irmã) ao mesmo tempo, nenhuma delas em festas de final de ano.
Hoje em dia, o Natal serve para me lembrar que eu estou distante da miha família, de meus amigos, que não haverá presentes embaixo da minha árvore decorada bem como não haverá árvore decorada, que o movimento dos centros comerciais é insuportável e que eu tenho que arrumar uma boa desculpa para não participar do “amigo secreto” da empresa.
Este ano, ao invés de entrar armado num shopping-center, atirar em tudo que se move e finalmente degolar o Papai Noel sob o olhar de terror de algumas criancinhas que tiravam fotos com o velhinho, resolvi fazer algo menos radical e me mandarei para um país muçulmano. Escolhi o Egito onde passarei duas semanas e só voltarei quando todos os resquícios de árvores-de-natal tiverem desaparecidos junto com todos os papais-noéis. Existe, óbvio, o outro lado da moeda: duas semanas em um país muçulmano me privará de álcool e prostitutas mas tudo bem, eu sou casado e nem tenho mais bebido tanto assim. Se Alah é grande o quanto dizem eu solicitaria a ele que não permitisse que se tocasse “Jingle Bells” no sistema de som de alguma loja de departamento no Cairo. Não enquanto eu estiver passando por perto, evitaria transtornos causados por uma catarse psíquica.


6 Comments:

At 1:35 AM, Anonymous Mairocas said...

Eu também odeio Natal.. muito. Mas infelizmente não tem nenhum país muçulmano no raio de alcance do meu bolso... hehe. Ainda mais depois que o meu pc pifou..

 
At 10:55 AM, Anonymous Elaine said...

Realmente estou comovida pelo teu depoimento tao sincero sobre o Natal...Eu gostaria que ele significasse - renovação, restauração...a beleza se encontra nos detalhes,nas pequenas coisas...as crianças são assim...não exigem mais que Amor e Alegria. Restaure a criança dentro de ti...abraço de mamae noel p vc

 
At 12:55 PM, Blogger Joe Bass said...

Maíra, voce pode ir para a triplice aliança (paraguay, banânia e argentina) até o Bin Laden já pregou por lá. Podemos considerar esse litígio territorial como parte do islã

 
At 6:16 AM, Blogger Katchatcha said...

Nem lembrava que a nossa última festa sem graça tinha sido em 91. Obrigada pela recordação.
Amo-te.

 
At 7:29 PM, Anonymous Anônimo said...

Joey!!! Bicho, eu curto Natal, apesar do perrengue em que vivo atualmente...mas isso não vem ao caso: as suas recordações me fizeram lembrar de uma história. Em dezembro de 2005, quando me encontrava no Primeiro Mundo texano, fui importunada por uma intrusão banânica: estava eu no busão, voltando pra casa da Universidade, quando no rádio do motô começa a tocar ..."Então é Natallllll!!!......"...isso mesmo, não era a versão original do Lennon, era a versão banânica de Simone! Pode???
Beijão e aproveite o final de ano! Continue escrevendo - vc, o Kibe e o Serjones fazem a alegria da minha telinha!
Karina

 
At 8:22 PM, Blogger Joe Bass said...

Rainha, quando eu ouco essa versao da Simone eu morro de vergonha alheia.
Eu soh escrevo aqui pq eu sei que minhas licoes de sabedoria te atraem.

Beijos e feliz Natal

 

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