domingo, outubro 16, 2005

A Maravilhosa vida do Homem-Placa


Em Londres é proibido pendurar faixas ou colar cartazes na rua. Quando eu digo "proibido" é proibido MESMO, por isso a melhor maneira de fazer publicidade da sua pocilga é pagar um imigrante ilegal ou um polones submisso para segurar uma placa informativa.
Primeiro trabalhei segurando uma placa seis horas por dia para uma pequena loja de guitarras. O pagamento dava para comprar feijões enlatados do Tesco (supermercado dos mal-fodidos em Londres) e alguns ovos. Dava pra pagar o aluguel da minha cama no meu mocó.
Duas semanas depois, um coreano boa-gente me ofereceu de ser homem-placa de seu novo e promissor cyber-café e trabalhar doze horas por dia.
Movido pela ambição e pela tentação do salário dobrado, aceitei na hora e até hoje minha coluna cervical e meus pés protestam contra essa decisão.
O problema é que quando voce está na rua e o frio sobe pelo seus pés, primeiramente necrosando seus dedo, a hora não passa como deveria. Além disso, não adianta colocar milhões de casacos, o frio te consumirá e exigirá que todos os seus orgãos vitais trabalhem dobrado para que voce não padeça solitário em na esquina da Denmark Street com a Charing Cross. Se o seu corpo não resistir e voce vier a falecer pode ter certeza que isso só será notado umas duas semanas depois quando um vendedor de alguma loja notar que faz tempo que voce está caido no chão congelado na mesma posição.
A mente também sofre. Eu lia livros, conversava com mendigos e com limpadores de rua, fornecia informações turísticas com precisão e contabilizava as transeuntes comíveis. Em um dia eu contei mais de trezentas.
Em compensação eu tinha tres pausas de meia hora para me reestabelecer mas essa meia hora literalmente voava. Os coreanos me deixavam usar a internet de graça, me davam café, bolo e palavras amigas para que eu sobrevivesse a essa provação.
Isso durou dois meses, graças a deus. Fui contratado como lavdor de pratos num restaurante japones e a placa ficou para um outro ser fodido estrupiado.
Mesmo sem estar mais trabalhando para os coreanos eu ia diariamente no cyber-café conferir meus mails, sempre de graça. Ainda por cima continuava ganhando bolo, café, refrigerante e até bilhetes para assistir a alguns musicais famosos.
Mas agora a vida era outra e promissora. Lavar pratos era meu grande objetivo na vida...

1 Comments:

At 4:45 PM, Anonymous O primo do Joe said...

Grande Joe,
Tirei meu atarefado dia de trabalho para realmente executar tarefas produtivas que me tragam um pouco mais de cultura, ler seu Blog na integra! As informações contidas me trouxeram alegria, boas gargalhadas, lições de vida e principalmente uma saudade incomum do cara esteve do meu lado nos momentos mais difíceis de minha vida. Pois é! Você faz uma falta tremenda.
Um grande abraço

 

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